segunda-feira, 2 de março de 2009

MESTRE X INSTRUTOR



Hora da Educação Física e as crianças correram para a quadra.
Alguns, já estavam lá, também correndo e chutando bolas, insanos, despejando a energia reprimida.
Todos na faixa de 13.

Luis Claudio chutou uma bola, o menino-azul rebateu, e continuou correndo...
Anos dourados numa escola de qualidade, de metodologia Experimental.

O instrutor pediu que todos se reunissem a ele, e todos se sentaram. ..
Diferente dos mestres, abastado, encaixava sempre nas conversas suas qualificações
técnicas e metodologia avançada.
Sério, dizia ser um absurdo chutarem bolas de volley; que deveriam ser usadas somente
com as mãos.

Ríspido, convocou todos os criminosos, que chutaram a pelota a sentarem separados
do grupo.
O menino-azul, desatento, desligado, nem deu atenção à conversa...
A repreensão continuava, se alongava, não tinha fim...

Eu e vários colegas, não tínhamos vontade de ouvir aquele instrutor porque ao invés
de nos orientar ficavam todo tempo "se gabando" que iria para as Olimpíadas, acho
que de 1972...

Era um porre !!!
Novos, muitos de nos ja o reconheciamos como um cara egoista que ja tinha puxado
o tapete um mestre.
Totalmente diferente do que a escola preconizava.

Tudo ficou mais sério, quando o menino-azul escutou o adulto aumentar o tom e
acusar alguém de “covarde”.
Nenhum mestre nos tratava assim.
Olhou espantado para frente e percebeu que o carrasco olhava direto pra ele.

Alguns segundos até o menino-azul lembrar do rápido e despretensioso “chute na bola”
de voley(aquela que nao podia...) quando entrara correndo!!
Lembrado, assustado, entendeu que o acusado, bandido e "covarde" era ele.
Ficou imóvel, congelado, pasmo e mal, sem saber o que fazer.

Mais alguns segundos, e a aula começou.


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